Nojo

 

Nós não deveríamos ter tempo para o tempo do Nojo

 

Nós deixaríamos as migalhas meditarem até se tornarem estiletes

 

Nós dançaríamos “Cuando Calienta El Sol”

 

com moedas de merda na juke box alquímica

 

Nós assobiaríamos o espírito da música esférica

 

assombrando o banho-maria do apocalipse

 

Nós refundaríamos o mundo com um bailado de perdigotos

 

fertilizando o não-ser

 

Nós os torturados nós os esquartejados nós os enterrados vivos

 

brotaremos como ipês de algum estrume deslumbrante

 

Nós constelações de pedra e carne a voracidade geradora

 

Nós a árvore de nenhum paraíso

 

NÓS A ÁRVORE DE NENHUM PARAÍSO

 

Nós tomaremos o poder dos nossos corpos

 

NÓS TOMAREMOS O PODER DOS NOSSOS CORPOS

o sétimo ciclo

 

quando a mente se apenumbra a três mil pés de altitude --- castelo-tempestade plumbifurirrosa --- Noite dá à lucífera Cidade cidades: Escárnio Miséria e Agonia, e adiante Esquizo Gozorra e Anticlímax, e então --- dedo-trovão cofiando pentelhuvens e o supremo clitóris trevoso --- ah ereção desesperada fecundando todos os mitos (Adão, Maternidade, O Mundo Utilizável, o Gerente de Marketing, Marylin, Dioniso etc.) suarentos no climatério global --- de olho nas frestas na camada de ozônio, em busca do ovnigraal perdido

juntadas todas as partes, prova-se por cansaço o teorema do absurdo – esse ajuntamento de continentes onde sob cada lâmpada para cada novo dia um deslumbrante trambique é parafusado com o “agora vai” – as omoplatas gastas na augusta madrugada, roçando muros e postes, e o comichão à guisa de asas – as idéias remeladas pela manhã – já não espanta a continuidade desta piada? e sempre esta aurora dediplúmbea com pilhas de louças encardidas repelindo os anjos e a dita “energia do dinheiro”!

[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem

 
Visitante número: